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'Cabo do Medo': Perito em vilões, Javier Bardem nega fascínio ao recriar psicopata icônico de De Niro

Javier Bardem, Amy Adams e Patrick Wilson falam sobre psicopata de 'Cabo do medo' Existem muitos motivos para assistir à nova série "Cabo do Medo", que adapta...

'Cabo do Medo': Perito em vilões, Javier Bardem nega fascínio ao recriar psicopata icônico de De Niro
'Cabo do Medo': Perito em vilões, Javier Bardem nega fascínio ao recriar psicopata icônico de De Niro (Foto: Reprodução)

Javier Bardem, Amy Adams e Patrick Wilson falam sobre psicopata de 'Cabo do medo' Existem muitos motivos para assistir à nova série "Cabo do Medo", que adapta o livro de John D. MacDonald, de 1957, e os filmes de 1962 e 1991. Mas é inegável que, entre eles, o maior provavelmente é a interpretação de Javier Bardem como Max Cady, o psicopata eternizado na pele de Robert De Niro há 35 anos. Afinal de contas, o personagem é a nova adição à galeria invejável de vilões do ator espanhol, celebrado acima de tudo pelo assassino de cabelo questionável – "de Beiçola", diriam alguns – de "Onde os fracos não têm vez" (2007). Desde então, ele ainda deu vida a antagonistas em "007 - Operação Skyfall" (2012), "Piratas do Caribe: A vingança de Salazar" (2017), "Mãe!" (2017) e na série "Monstros: Irmãos Menendez: Assassinos dos Pais". "Não é exatamente que eu seja fascinado por eles. É o que me chamam para fazer", brinca Bardem, em entrevista ao g1 – e arranca risadas dos colegas de elenco Amy Adams e Patrick Wilson. "Aparentemente, não sou um protagonista romântico. Eles querem que eu só seja essa pessoa cruel." Javier Bardem em cena de 'Cabo do Medo' Divulgação Isso não é exatamente verdade. Aos 57 anos de idade, o espanhol também coleciona um bom número de galãs na carreira. Chegou até a dar vida a um brasileiro no romântico "Comer, rezar, amar" (2010), com Julia Roberts. Apesar de rejeitar um fascínio pelos personagens depravados, ele admite que há uma atração natural aos vilões. "É sobre o fato de que você pode brincar com a moralidade e as hipocrisias e toda essa manipulação e o medo da outra pessoa na sua frente. Trabalhar com isso para ganhar controle sobre eles", afirma. "É divertido. Eles são normalmente papéis divertidos de fazer, que te dão mais liberdade para fazer coisas diferentes do que o herói, vamos dizer assim." Robert De Niro em cena do filme 'Cabo do Medo', de 1991 Divulgação Jogo de xadrez e troca de papéis A série, cujo terceiro episódio estreia nesta sexta-feira (12) na plataforma de streaming Apple TV, dá uma interpretação nova à história do advogado que precisa lidar com a busca por vingança de um ex-detento determinado que o culpa por seus anos na prisão. As mudanças são consideráveis, é claro. E vão além de alongar a história para dar conta dos dez episódios previstos para a temporada. Dessa vez, a protagonista é uma mulher, a advogada interpretada por Adams, que se casou com o promotor (Wilson) do julgamento por homicídio de Cady após ser a responsável pela defesa do acusado. Dá para entender as suspeitas do vilão. "Sei especialmente que as cenas em que nós três estamos juntos têm uma dinâmica tão maravilhosa. É um jogo de xadrez de gato e rato. Foi muito divertido trabalhar nessa dinâmica", fala a atriz indicada seis vezes ao Oscar. "Também por causa da imprevisibilidade em Max, que nos deixa à flor da pele. E nossos personagens precisam manobrar entre si, o que criou um monólogo interno tão bom entre nós. É tudo muito divertido de interpretar." Amy Adams, Patrick Wilson e Lily Collias em cena de 'Cabo do Medo' Divulgação A benção de Scorsese e Spielberg A série conta com produção executiva de Martin Scorsese, diretor da versão de 1991, e Steven Spielberg, que quase dirigiu o filme na época. Acontece que as duas lendas do cinema decidiram trocar projetos no final da década de 1980. E é difícil negar que a decisão foi uma ótima ideia para os dois. Scorsese queria provar que conseguia realizar um sucesso comercial – e conseguiu mais de US$ 180 milhões em bilheterias com um orçamento estimado em US$ 35 milhões. Já Spielberg ficou com um pequeno filme dramático fotografado em preto e branco sobre o Holocausto. "A lista de Schindler" foi o grande ganhador do Oscar em 1994, com sete no total. Além de melhor filme, deu ao cineasta sua primeira vitória como diretor. Conhecido pela antologia de terror "Channel Zero", o roteirista Nick Antosca cresceu fascinado pela visão de Scorsese para o que considera "uma fábula". Por causa disso, foi atrás do estúdio que tinha os direitos sobre a adaptação para tentar uma nova interpretação. Aparentemente algo no universo dita que deve haver uma a cada trinta anos, mais ou menos. "Alguns anos atrás, eu fui à Universal e a Scorsese e Spielberg e pedi a benção deles e vendi essa nova versão. Eles foram muito generosos e solidários o tempo inteiro. Leram roteiros, deram sugestões. Marty aparecia no Zoom ou me ligava e ajudava a acertar detalhes. Foi demais", conta o criador da série. "'Cabo do Medo' é como uma fábula. É como um mito. É uma história atemporal que absorve o que está acontecendo na atmosfera, na cultura, no tempo em que é feita. Poderia ser feito de novo em 30 anos e seus ossos ainda estariam fortes. Seria uma história muito diferente, com perguntas novas sobre moralidade e justiça e vingança." Javier Bardem em cena de 'Cabo do Medo' Divulgação